Querem saber? Deus: Afinal, cristãos, como vocês saem dessa? Esse post talvez se encaixasse na nossa série de " Hereges que amamos ", mas achamos por bem apresentá-lo separadamente. E por duas razões: Uma que a autora do post é o que os religiosos fanáticos chamarariam de "ateia que não tem coragem de sair do armário", mas que ela mesma se define como cristã progressista. E outra que ela é uma cristã de ideias muito arejadas e não tão famosa, ainda, para figurar naquela categoria de personagens. Ela? Mas quem é ela? Jo Holden é uma australiana que foi criada na Australia Uniting Church , é uma professora de matemática, que compartilha suas ideias sobre qualquer coisa envolvendo religião, que tem uma perspectiva racional e crítica, e representa a "geração Y". Assim ela se apresenta em seu site. ...
Bem-vindos!
Nós, seres humanos, somos criaturas em busca de significado
_Karen Armstrong
Por que cremos?
Cremos antes de mais nada porque queremos melhorar as nossas experiências durante a nossa existência.
Crer é uma forma de visualizar a felicidade que não temos. Crer é um modo de tentar controlar a realidade.
Mas crer, antes de mais nada, deveria ser uma atitude pessoal e consciente. Mas nunca funciona assim, mesmo quando dizem que sim.
Biólogos, neurologistas e psicólogos já nos confirmaram que muitos de nós vem com um "cérebro crente". Quem nasceu programado para crer, vai acabar crendo. É uma necessidade incontornável.
Esse blog é para esses dois tipos de gente, mas também para todos os outros tipos que pensam a vida em algum lugar entre os dois extremos.
Sim, falaremos de religião.
Mas o que é religião?
Como entendemos aqui:
...religião é a ligação (de re-ligare=religação) de um indivíduo com supostas realidades sobrenaturais, com as quais ele mantém uma relação, em troca de bençãos e favores, para este mundo e para além dele.
As expressões "pessoa de fé" e "pessoa religiosa" serão usadas intercambiavelmente, salvo exceção explícita.
Há, contudo, uma razão-eixo pela qual chamamos esse blog à existência:
Levar e espalhar conhecimento, para expandir consciências e desfazer mal-entendidos que, quando detectados e resolvidos, faz as pessoas verem que não pensavam tão diferente assim.
Todos nós desde muito cedo ouvimos e fomos levados a praticar a religião, a acreditar em coisas. E isso por pura tradição. Mas tudo o que é repetido e praticado por tradição ou seguido por pressão social, nos aliena e escraviza. É morte.
Quando falamos de religião e fé estamos nos referindo ao conjunto de crenças e elementos que deu base, forma e que domina a cultura ocidental, o cristianismo e tudo o que se derivou daí. O que não impede que citemos outras religiões e sistemas de crenças, quando isso for necessário.
Por que saber e transcender?
Porque quando sabemos, tudo se torna maior, mais claro e menos sedutor e apelativo. O saber nos liberta e nos leva para além do que sonhávamos poder ir e ser.
Vivemos hoje naquela que foi batizada a "Era do Acesso". Temos agora à mão, como nunca antes na história, informações e conhecimentos numa quantidade assustadora.
Tais informações, virtualmente poderiam reconfigurar a cabeça de qualquer um sobre qualquer assunto, em destaque sobre religião e fé.
Basta que tenhamos disposição e uma boa conexão à internet, e as trevas da ignorância podem ser facilmente dissipadas.
Esse blog será um espaço crítico e provocativo. Ele pretende informar, impactar, questionar tudo o que você sabe ou não sabe ainda, mas que é vendido aí fora como certezas e garantias sobre supostos mundos e valores espirituais.
Tal espaço tem o intuito de promover a reflexão e a revolução das ideias, que só o conhecimento sem amarras e constrangimentos institucionais ou pessoais, pode gerar.
A fé e a religião dão significado à vida, disso ninguém discorda. Só precisamos saber em que momentos ou situações, tais elementos se tornam mecanismos de poder e de controle.
Só temos uma devoção aqui. Somos fanatica e incorrigivelmente adeptos das evidências, dos fatos - da realidade.
E por que cismamos de falar sobre esses temas?
- Porque temos formação teológica e filosófica.
- Também porque durante sete anos (2001-2008) demos aulas em um curso de divulgação teológica, para diversos tipos de pessoas, devotos, curiosos e gente interessada sobre assuntos místicos e religiosos.
- Porque agora estamos livres para transmitir o conhecimento e as informações como elas, são, sem necessidade de filtrá-las e adaptá-las às sensibilidades dessa ou daquela audiência.
- Mas, acima de tudo, para produzir e promover recursos e condições que despertem e desenvolvam nas pessoas o pensamento crítico.
Quando sabemos, tudo muda.
Aos 11 anos, eu comecei a mudar, ao ser questionado por uma prima mais velha, se a promessa que eu fizera para um santo na intenção de conseguir passar numa prova, era um espécie de chantagem.
Muito mais tarde eu fui entender que a relação da maioria das pessoas com o "sobrenatural" está baseada em medo e chantagem. Nada mais.
O mundo sobrenatural organizado que nos foi vendido é mais uma construção cultural do que uma realidade objetiva.
Enfim, após essa breve mas necessária reflexão sobre o objetivo desse blog, vamos às 9 razões para se falar de fé e religião:
1 - Por que elas estão aí!
O cristianismo não é só uma religião mas também a cultura com a qual fomos formados como ocidentais. Mesmo que você não queira, você é influenciado.
Não seria legal saber mais sobre algo tão onipresente e influente assim? Seja lá o que você for fazer com o resultado desse estudo?
Precisamos saber como a religião funciona. E mesmo que você não seja alguém de fé, é urgente conhecer sobre esse poderoso mecanismo cultural, capaz de influenciar e determinar tantas vidas, direta e indiretamente.
Se você é religioso ou alguém com fé, devo dizer que a era da crença por tradição (católica) ou tendência social (evangélica) já passou.
Você precisa saber porque vive esta realidade ou por que escolheu esse caminho. O que tudo isso, recebido antes ou assumido depois, significa para você.
Uma pessoa consciente, seja ela crítica, agnóstica, ateia ou crédula, sabe o quanto a religião é impactante na vida de todos nós. E, por isso vai se dedicar a estudá-la de todos os modos possíveis para saber reagir a ela mais adequadamente.
Falar de algo que não se sabe direito pode gerar o efeito negativo ao que se pretende: pode desmoralizar o crítico e enaltecer as crendices.
Por exemplo, será muito bom saber como foi o processo de formação e de desenvolvimento do cristianismo, da Bíblia antes de chegaram até nós.
Essa é uma das razões pelas quais esse blog vai lhe interessar muito.
2 - Para conhecermos o cristianismo
A religião pode ser benéfica ou maléfica, dependendo das mentes e interesses por trás dela e dos seus valores e dogmas. Exemplos não faltam.
Esse blog é um espaço voltado para explorarmos o universo do mundo da fé, da crença e da religião assim como sobre toda a cultura gerada por estes e sob a qual vivemos e convivemos.
Traremos a história do cristianismo e da igreja, especialmente aqueles fatos e eventos que foram determinantes para o sucesso do cristianismo.
Apontaremos também as tradições e costumes, uma vez pensados em função de uma situação, mas que acabaram marcando a identidade histórica que o cristianismo tem hoje.
Quanto a literatura, bem, nem precisamos falar que isso envolverá a Bíblia, mas como todas as reflexões de fé e teologia mais importantes.
Apontaremos também as tradições e costumes, uma vez pensados em função de uma situação, mas que acabaram marcando a identidade histórica que o cristianismo tem hoje.
Quanto a literatura, bem, nem precisamos falar que isso envolverá a Bíblia, mas como todas as reflexões de fé e teologia mais importantes.
Além do mais, por que não falar também dos métodos de interpretação, e como é deles que mais depende tudo o que se acredita e se diz por aí? O cristianismo é um interpretação feita de si mesmo.
Falaremos também das tendências atuais do cristianismo, suas transformações, movimentos e possibilidades.
E tudo isso, o faremos de forma descontraída, ainda que de maneira bastante séria.
Falaremos também das tendências atuais do cristianismo, suas transformações, movimentos e possibilidades.
E tudo isso, o faremos de forma descontraída, ainda que de maneira bastante séria.
Se você adoraria saber dos conflitos, escândalos, fatos cômicos, da Bíblia, da teologia, da história da igreja e mesmo da cultura cristã de todos os tempos e lugares, esse blog foi feito pensando em você.
3 - Por que não existe o cristianismo mas "cristianismos"
O povo em geral não foi educado a buscar se informar e a pensar. Nem foi incentivado a estudar e aprender, mesmo sobre aspectos básicos da fé.
A Igreja Católica, durante séculos, preferiu manter as pessoas cativas e crédulas a respeito do mundo da fé. Fez isso por um cuidado exagerado sobre as "coisas sagradas".
E o que ganhou, sobretudo no Brasil, com o avanço evangélico? Um bando de dissidentes revoltados que saíram se dizendo enganados, pois só agora, pela primeira vez estavam acessando a Bíblia!
Nós pretendemos fazer o contrário aqui: disponibilizar o conhecimento sobre tudo, imparcialmente. E a audiência é que vai decidir o que fazer com isso.
Há muitas formas de cristianismo. E isso é assim de acordo com a postura ou posição interpretativa de cada grupo.
Você verá que tudo é tão variado que faz com que o cristianismo pareça várias religiões sob um mesmo toldo.
Exemplo? Os cristãos tradicionais confundem Jesus com Deus. Mas há outros que veem nisso apenas uma forma "antropomórfica" de falar da relação íntima de Jesus com o deus judaico.
No entanto, basta se considerar a óbvia e objetiva dificuldade em lidar e entender um livro de três mil anos como a Bíblia - que vem sendo debatido em seu significado por gerações de cristãos pelos século afora - etudo começará a fazer mais sentido.
O resultado acaba sendo 4 tendências ou posições teológicas que identificam diferentes formas de cristianismo: fundamentalistas, conservadores, moderados, progressista. E vamos detalhar cada uma delas em futuros posts.
Às vezes, na prática, tudo parece se resumir a "fundamentalistas" e "progressivas". Mas também, como nem sempre tudo na vida é 8 ou 80, há momentos que as posturas intermediárias se evidenciam claramente.
4 - Mostrar a Bíblia como ela é
Você quando ouve ou lê as palavras "Bíblia" e "religião" já se arrepia ou sente aquela repulsa ou, ao contrário, se emociona e se identifica com esse patrimônio religioso?
Seja qual for o seu caso, o fato é que a Bíblia não precisar ser lida necessariamente pelas lentes religiosas e teológicas.
Mesmo quando a desvestimos da sua pretensa origem sobrenatural, ela pode surpreender como produto humano preocupado com a vida.
Penso que a Bíblia pode ser vista como um conjunto de experiências existenciais literariamente registradas, para lembrar e inspirar os processos de crescimento e forjar a alma do povo judeu.
A abordagem histórico- crítica da Bíblia trata esse livro antes de tudo como uma obra literária muito particular. Claro que isso não agrada os traidicionalistas devotos. Mas é exatamente esse caminho que tomaremos ao tratar desse livro.
Quando se descobrem os gêneros literários e se trabalha a Bíblia sob os métodos histórico-crítico e sociológico de interpretação, por exemplo, tudo muda de figura.
Por isso mesmo, nem todos veem a Bíblia do mesmo modo. E você verá aqui os vários modos de lê-la e entendê-la. E, se o tomarmos de certo modo, esse livro pode ser interessante, engraçado, dramático, tudo, menos enfadonho e sem graça.
5 - A relação entre a teologia e as ciências
Esqueça criacionismo, esqueça Design Inteligente (DI). As questões teológicas não vão contra a ciência, quando o assunto é o funcionamento físico do mundo.
Teologia e religião são poesia sobre a vida.
Já sobre as condições do mundo físico, a sua formação, desenvolvimento e manutenção, sempre terá a última palavra a Ciência.
Como esclarece o psicólogo e historiador da ciência, Michael Shermer em Cérebro de Crença:
"Sou cético não porque não queira acreditar, mas porque quero saber. Como saber a diferença entre o que gostaríamos que fosse verdade e o que é de fato verdade? A resposta: é a ciência"
Teologia e religião são poesia sobre a vida.
Já sobre as condições do mundo físico, a sua formação, desenvolvimento e manutenção, sempre terá a última palavra a Ciência.
Como esclarece o psicólogo e historiador da ciência, Michael Shermer em Cérebro de Crença:
"Sou cético não porque não queira acreditar, mas porque quero saber. Como saber a diferença entre o que gostaríamos que fosse verdade e o que é de fato verdade? A resposta: é a ciência"
Quando saem livros como E a Bíblia não tinha razão, do arqueólogos Neil Silberman e Israel Finkelstein, o teólogo estudioso e crítico não se surpreende com os resultados, mas vê ali a possibilidade de demonstrar como os homens antigos não buscavam a história, mas refletir com fé sobre os fatos.
6 - Religião e fé são filhas da história e não o contrário
Há, claro, aqueles que vociferam o tempo todo tentando mostrar que os discursos de fé substituem os dados da realidade. Mas isso nunca foi verdade.
A própria Bíblia, quando lida sob o olhar da busca significativa, poética, da vida, faz muito sentido se vista dentro dos interesses do povo que a produziu. Perderá logicamente aqueles títulos tradicionais dados pela fé, mas certamente, terá muito a dizer sobre a crueza da vida.
O livro de Jó, por exemplo, é uma demonstração que a vida não tem como funcionar sempre a contento, mesmo se fôssemos os melhores dos homens e mulheres.
Cobra falante? Adão e Eva, Êxodo? Será que esses relatos querem dizer o que a letra indica?
Às vezes pelas reações de muitas pessoas diante da religião, fico me perguntando se toda a sua raiva pela religião e fé não são fruto apenas do péssimo contato com os promotores fanáticos desses elementos.
A simbologia bíblica é fascinante e certeira quando é tratada em seu contexto social e do modo devido.
Quando se entende aquilo do que elas tratam, os elementos absurdos que estavam lá, parecem até sumir perante a mensagem que pretendiam transmitir.
Concordar com a conclusão de um autor de um mundo tão antigo sobre como interpretar a vida, daí já é outra coisa.
7 - As crenças cristãs são discordantes
E já vou começar mandando esse texto do pastor Ricardo Gondim Deus me livre de um Brasil evangélico.
Como Gondim, há muitos religiosos intelectualizados que não se veem (ou não se veem mais) refletidos nessa onda evangélica que domina o Brasil de uns vinte anos para cá.
Há o pastor Caio Fábio, ferrenho crítico do "sistema religioso evangélico" que ele não identifica com o "verdadeiro evangelho".
Há o pastor Caio Fábio, ferrenho crítico do "sistema religioso evangélico" que ele não identifica com o "verdadeiro evangelho".
Ah, aqui a coisa fica muito legal.
Você já deve ter ouvido falar de "fundamentalismo" e fundamentalistas? Não são apenas os islâmicos extremistas que se encaixam nessa categoria.
Muitos cristãos, para não dizer a esmagadora maioria dos evangélicos brasileiros é fundamentalista.
Você já deve ter ouvido falar de "fundamentalismo" e fundamentalistas? Não são apenas os islâmicos extremistas que se encaixam nessa categoria.
Muitos cristãos, para não dizer a esmagadora maioria dos evangélicos brasileiros é fundamentalista.
Mas o cristianismo é muito mais do que se vê na mídia. Há um debate constante dentro do cristianismo sobre praticamente qualquer assunto.
O cristianismo vai desde os evangélicos "pegadores de cobra" da região dos Apalaches, nos EUA, até os progressistas mais extremos, homoafetivos ou não, que flertam (ou até não se assumem) o ateísmo.
Não mesmo. Ela apenas hoje vive uma relação bem diferente com as suas "ovelhas". Aguarde, vamos explorar muito essa questão do "ateísmo cristão".
8 - Mostrar que Deus "é" e Deus "existe", não são a mesma coisa
Pelo menos é isso que a maior parte da teologia mais sofisticada e crítica diz, e é a isso que se referem aqueles famosos "atributos divinos" (oni-presença/potência/(s)ciência).
Confuso?
É que no mundo intelectual das definições teológicas/filosóficas "ser" e "existir" são duas coisas completamente diferentes.
Confuso?
É que no mundo intelectual das definições teológicas/filosóficas "ser" e "existir" são duas coisas completamente diferentes.
É simples. Deus não existe, porque a existência é atributo do que tem começo, meio e fim: tudo o que é finito e contingente (que vem e vai). E o que é finito e passageiro, é relativo e não pode ser Deus.
Então como fica Deus nessa história?
Deus é!
Sim, por que ele é o "ser em si", de quem dependeriam, e em que (ou quem?) se manteriam os outros seres, aqueles que apenas existem: nós e o mundo.
Isso pode parecer pouca coisa, mas logo, logo faremos notar que essa diferenciação entre "existir" e "ser" pode fazer toda a diferença para você, crente e não crente, na hora de lidar com (a ideia) de Deus.
"A Realidade é meu Deus, as evidências são minha escritura, e a integridade (viver uma relação correta e ajudando outros a serem íntegros também) é a minha religião".
Sabe quem disse essa frase? Michael Dowd, um teólogo que tem toda uma teologia que diz "Deus é uma personifação (da vida, da realidade), e não uma pessoa!".
Acredite, tem de tudo no cristianismo. Você vai se surpreender com que há nesse mundo dos seguidores daquele "jovem galileu" que um dia foi catapultado a condição divina. Sim, esse é um outro tema ao qual vamos dedicar muita atenção.
Afinal, como Jesus se tornou Deus?
9 - Demonstrar que "saber é transcender"!
Este blog não é devocional e nem ateu. É uma espaço para explorarmos o mundo da fé, sob todos os pontos de vista. A informação e o conhecimento serão nossas bússolas, sempre.
Podemos resumir a nossa intenção assim: dar a você condições para saber e ir além de tudo o que, de outro modo, você jamais saberia.
Portanto, esse post é um convite.
Venha sempre nos visitar, salve em seus favoritos, pesquise no blog o que você quiser saber e, se não encontrar, nos sugira falar a respeito. Esse blog é para você.
Quer saber? Fique de olho nas novidades.
Até breve!




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