Querem saber? Deus: Afinal, cristãos, como vocês saem dessa? Esse post talvez se encaixasse na nossa série de " Hereges que amamos ", mas achamos por bem apresentá-lo separadamente. E por duas razões: Uma que a autora do post é o que os religiosos fanáticos chamarariam de "ateia que não tem coragem de sair do armário", mas que ela mesma se define como cristã progressista. E outra que ela é uma cristã de ideias muito arejadas e não tão famosa, ainda, para figurar naquela categoria de personagens. Ela? Mas quem é ela? Jo Holden é uma australiana que foi criada na Australia Uniting Church , é uma professora de matemática, que compartilha suas ideias sobre qualquer coisa envolvendo religião, que tem uma perspectiva racional e crítica, e representa a "geração Y". Assim ela se apresenta em seu site. ...
Querem saber?
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| Deus: Afinal, cristãos, como vocês saem dessa? |
Esse post talvez se encaixasse na nossa série de "Hereges que amamos", mas achamos por bem apresentá-lo separadamente. E por duas razões:
Uma que a autora do post é o que os religiosos fanáticos chamarariam de "ateia que não tem coragem de sair do armário", mas que ela mesma se define como cristã progressista.
E outra que ela é uma cristã de ideias muito arejadas e não tão famosa, ainda, para figurar naquela categoria de personagens.
E outra que ela é uma cristã de ideias muito arejadas e não tão famosa, ainda, para figurar naquela categoria de personagens.
Ela? Mas quem é ela?
Jo Holden é uma australiana que foi criada na Australia Uniting Church, é uma professora de matemática, que compartilha suas ideias sobre qualquer coisa envolvendo religião, que tem uma perspectiva racional e crítica, e representa a "geração Y". Assim ela se apresenta em seu site.
Sem mais palavrório, vamos ao texto dela sobre a natureza e as caracaterísticas de Deus, em que ela faz uma boa apresentação de si e do seu pensamento em geral.
Boa leitura!
Texto original
Boa leitura!
Texto original
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No início deste ano, a comediante e apresentadora de talk show Chelsea Handler, perguntou se Neil de Grasse Tyson (astrofísico, autor, e divulgador científico) acreditava ou não em Deus.
Como sempre, DeGrasse Tyson deu uma resposta baseada em evidências, engraçada e explicada brilhantemente, e nela ele abordou a pergunta frequente - por que Deus deixa as coisas ruins acontecerem? Você pode assistir a entrevista (em inglês) aqui. Ele diz:
Todas as descrições de Deus que ouvi, consideram que Deus é todo poderoso (bem típico) e todo bom. E então eu olho em volta e vejo um tsunami que matou um quarto de milhão de pessoas na Indonésia, um terremoto que matou um quarto de milhão de pessoas no Haiti, e vejo terremotos, furacões, doenças, e a leucemia infantil: e vejo tudo isso e eu falo, eu não vejo evidências de que as duas coisas sejam simultaneamente verdadeiras. Se existe um Deus, ele ou é todo-poderoso ou é todo-bom. Ele não pode ser os dois.
É a maior contradição do Deus cristão tradicional, e a pergunta mais comum que me é feita por amigos e familiares como cristã: como pode um Deus que ama o mundo e todas as pessoas nele deixar tais eventos terríveis ocorrerem? Por que Deus deixa coisas ruins acontecerem para pessoas boas?
Vamos primeiro dar uma olhada na visão tradicional sobre quem é Deus.
Quem é o Deus da Bíblia?
Todo-poderoso
A Bíblia descreve a Deus como todo-poderoso. Com poder sobre os céus, a terra e todas as pessoas. Deus criou o universo (Gênesis 1-2), provocou o Grande Dilúvio (Gênesis 7-8), enviou as 10 pragas do Egito (Êxodo 7-11), dividiu o Mar Vermelho para libertar os escravos hebreus (Êxodo 14). Deus deu a Sara e Abraão um filho no final da vida (Gênesis 21), curou um homem de lepra (2 Reis 5) fez com que o exército arameu ficasse cego (2 Reis 6,8 em diante) e matou um exército assírio (2 tipos 19: 35) .
Através de Jesus, Deus realizou inúmeros milagres. Ele curou os cegos (Mateus 9: 27-31), o surdo e mudo (Marcos 7: 31-37), ressuscitou mortos várias vezes (Lucas 7: 11-18 e João 11: 38-44, para não mencionar o próprio Jesus), e curou uma mulher que havia sangrado por 12 anos (Mateus 9: 20). A lista continua.
Não há dúvida de que, se você acredita nessas relatos, precisa acreditar que Deus é todo poderoso. Com poder sobre o mundo natural, como sobre a vida e a morte.
Todo Bom
Apesar de terem lido as atrocidades do Antigo Testamento e acreditar que elas são a vontade de Deus, a maioria dos cristãos também acredita que Deus é perfeito, inteiramente bom e que seu amor é sem limites.
Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu único e único Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - João 3:16.
É o versículo mais citado da Bíblia. Nas horas difíceis, isso traz consolo a muitos cristãos ao saberem que Deus sabe tudo sobre eles e ainda assim os ama. E existem inúmeros outros versículos com o mesmo sentido. Nós acreditamos em um Deus que é bom e amoroso.
Um dos meus comediantes australianos favoritos, Jim Jefferies, diz: "As pessoas religiosas vão perdoar a Deus por qualquer m***a. Na cabeça deles, ele só faz o bem."
É fácil entender por que essa contradição é um dos argumentos mais comuns usados pelos ateus.
É fácil entender por que essa contradição é um dos argumentos mais comuns usados pelos ateus.
Então, sendo cristãos, como podemos reconciliar esses conceitos conflitantes sobre Deus?
Bem, a resposta é que, racionalmente, não podemos.
Bem, a resposta é que, racionalmente, não podemos.
No entanto, os cristãos se esforçam para encontrar uma explicação que garanta que sua fé permaneça intacta e que sua compreensão do mundo fique de pé.
Queremos saber que as coisas acontecem por uma razão, que há um Deus que nos ama e tem um plano e todas aquelas outras declarações clichês nos fazem sentir que confortados e bem quando nosso mundo está vindo abaixo.
Queremos saber que as coisas acontecem por uma razão, que há um Deus que nos ama e tem um plano e todas aquelas outras declarações clichês nos fazem sentir que confortados e bem quando nosso mundo está vindo abaixo.
Assim, vamos examinar algumas dessas explicações comuns da natureza contraditória de Deus.
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| Deus é Bom ou Todo-Poderoso: você já viu o que a Bíblia diz? |
1. Livre arbítrio
Em algum momento da minha vida, tenho certeza de que usei esse argumento para responder porque coisas ruins acontecem. Mas acabei percebendo que, na verdade, de saída isso falha em explicar a natureza de Deus.
A ideia geral é que Deus não controla pessoas como fantoches. Nós não somos "possuídos" por Deus. Portanto, Deus permite que as pessoas façam suas próprias escolhas, sejam elas quais forem. Podemos escolher fazer o bem ou não.
Até certo ponto, eu concordaria com essa idéia, e é por isso que me agarrava a ela no passado. Tenho certeza de que Deus não quer nos controlar como fantoches e prefere que façamos as escolhas certas. Mas naquela época eu não era mãe.
Minha mãe me explicou outro dia: imagine que dois de seus filhos estavam brigando e um estava prestes a matar o outro, se você tivesse o poder de intervir, é claro que você faria. Nenhum pai que ama seus filhos ficaria de fora e permitiria que isso acontecesse.
Ou pensamos que Deus nos ama menos que nossos próprios pais?
O livre arbítrio também não explica os desastres naturais, doenças e os acidentes no mundo.
2. Deus nos envia provas para nos ajudar a crescer
É verdade que a melhor maneira de aprender sobre a paciência é ser confrontado com uma pessoa ou situação que nos enfurece ou que nos testa.
Cristãos e não-cristãos podem concordar que é devido às dificuldades que enfrentamos na vida que crescemos como pessoas. Esperamos que por meio de tais experiências desenvolvamos resiliência, paciência, um sentimento de gratidão e compaixão pelos outros.
Na verdade, eu ouvi mesmo falar de certos cristãos que oram por mais oportunidades de sofrimento pessoal, por esse razão (=para crescer!).
Certamente a maioria dos pais que eu conheço não quer que seus filhos passem a vida ganhando tudo de mão beijada. Eles querem que eles trabalhem duro e desenvolvam perseverança em meio às dificuldades, para que possam degustar plenamente as alegrias da vida.
Mas nós realmente acreditamos que os pais de uma criança moribunda foram forçados a aguentar tal tragédia porque Deus percebeu neles alguma falha de caráter que precisava ser corrigida?
Quando as crianças passam fome nas sociedades atingidas pela pobreza mundo afora, que falha de caráter Deus está corrigindo então? Como o sofrimento e a morte deles são uma oportunidade de melhorar (os pais)?
É realmente uma ideia terrível quando você leva isso ao extremo. Se é por isso que Deus permite que o sofrimento ocorra, então Deus é (por falta de uma palavra melhor) é um cuzão.
3. Aqui é a Terra, não o Céu
Este é um argumento bastante lógico. Um mundo em que obviamente não podemos viver para sempre. Este mundo tem espaço limitado e recursos finitos, então evidentemente toda a vida deve chegar ao fim em algum momento.
Deus não pode intervir de modo que o mundo funcione o tempo todo. Se ele salvasse a todos da morte e do sofrimento, então estaríamos vivendo no Céu tradicional e não na Terra.
Em última análise, isso significa que Deus deliberadamente criou um mundo onde as pessoas têm que controlar a população e, às vezes, desastres e assassinatos auxiliam nesse processo. Mas que cuzão!
4. Deus castiga pecadores
Eu fico relutante até por escrever as palavras acima. Isso claramente foge da ideia de que Deus é todo bom e amoroso.
Por outro lado, a pergunta "Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?" Também não reconhece esse ponto.
Essa questão também pressupõe que certas pessoas merecem sofrimento e outras não.
Eu acho realmente perturbador quando as pessoas falam sobre o que alguém 'merece' pelos seus crimes cometidos.
Nós não vivemos em uma sociedade que é governada por regras "olho por olho". E sou verdadeiramente grata por isso, porque sou um ser humano que erra muito.
Levado ao extremo, isso também significa que sempre que algo ruim acontece com as pessoas, deve ser punição por algo que elas fizeram.
Apesar de ler a graça e o perdão de Deus no Novo Testamento, muitos cristãos acham difícil jogar fora a visão medieval da punição.
Você não acredita que muitos "cristãos" realmente pensam assim?
Jim Baker, um tele-evangelista dos EUA, fez recentemente este comentário sobre as vítimas do atentado de Manchester em 2017 (show da Ariana Grande):
Qual era o nome daquele show? 'Show da Dangerous Woman (mulher perigosa).' Se nós pudéssemos dizer o que sabemos - e não temos tempo hoje - mas vamos falar sobre algumas coisas: Eles literalmente fizeram essas coisas acontecer. Eles quase se amaldiçoaram com esse show. Eu vou lhe dizer, Deus não vai tolerar zombaria. 'Não se enganem, de Deus não se zomba'.
Ou, quanto a Pat Robertson (magnata da mídia dos EUA, presidente executivo e ex-ministro do Southern Baptist) que, quando perguntado sobre como consolar uma mãe que acabara de perder o bebê, deu a seguinte resposta:
Até onde isso importa a Deus, ele conhece o fim desde o início e Ele vê um bebezinho. E que este bebê poderia crescer para virar um Adolf Hitler, poderia crescer para ser Joseph Stalin, poderia crescer para ser um assassino em série, ou poderia crescer para morrer de uma doença horrível. Deus vê tudo isso, e então Ele acaba com essa vida, enqunto ele ainda é um bebê, e assim ele vai morar com Deus para sempre no Céu. E isso não é uma coisa ruim. Então, como Deus poderia fazer isso? Como poderia um bom Deus deixar acontecer? Bem, o bom Deus vai levar o bebê para o céu agora, e isso não é uma coisa ruim.
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| Deus: é o bicho-papão?? |
Ah, claro. É Sério? Tenho certeza que todos nós concordamos que isso é claramente um pensamento escroto e errado, considerado que Hitler e Stalin e os criminosos do dia-a-dia existem e sempre existiram. Então, é melhor ignorar o que ouvimos.
Há uma série de outros argumentos semelhantes que acabam gerando os mesmos problemas - a ideia de que Deus é ao mesmo tempo amoroso e poderoso é contraditória quando olhamos para o sofrimento deste mundo.
Quem é Deus então?
Quando de fato examinamos racionalmente as características propostas sobre Deus, é difícil concluir que Deus possa ser tanto-poderoso quanto todo-amoroso.
É claro que haverá muitas pessoas que deixarão de lado a evidência que sempre volta de que a visão tradicional é falha e fecharão as suas mentes para o pensamento racional.
Eles se apegam desesperadamente a clichês como "Deus age de maneiras misteriosas".
Quando alguém realmente nega toda a lógica e o pensamento racional por medo do desconhecido, então não há nada mais a dizer.
Mas se como eu, você examinou profundamente essas questões e chegou à conclusão de que essas duas características são contraditórias, então isso significa que você tem algumas perguntas ainda maiores para fazer sobre a fé.
Para algumas pessoas, isso significa o fim da sua crença em um Deus.
Para mim, isso levanta a questão “Quem é Deus?” E o que eu escolho acreditar sobre Deus tem algumas implicações enormes sobre o que eu acredito sobre a Bíblia.
Uma nova perspectiva
Eu não acredito realmente que Deus é um cuzão. Mas eu acredito em Deus. Isso significa que eu racionalmente cheguei à conclusão de que Deus não é todo poderoso.
Eu não acredito que Deus tenha absoluto poder coercitivo sobre o mundo e sobre as pessoas. Em vez disso, acredito que Deus é uma força que me conduz a tomar boas decisões, a ser uma pessoa compassiva e altruísta, e a assumir atitudes que criarão um mundo melhor e mais amoroso.
Deus é amor e Ele está sempre tentando me conduzier às melhores decisões em todas as circunstâncias.
Descobri que minha nova perspectiva se alinha e se aproxima muito com uma coisa conhecida como Teologia do Processo. Minha mãe, Glennis Johnston (um ministra ordenada graduada em Estudos do Novo Testamento) diz o seguinte em seu livro Turning Points of the Spirit:
Em cada momento de experiência, três coisas convergem para influenciar a seguinte. Elas são: nosso passado, nosso meio ambiente e o "objetivo inicial" da vida. Esse "objetivo inicial" da vida, que muitos de nós nomearíamos como Deus, nos envolve em cada momento, atraindo-nos para o que quer que seja bom, belo, verdadeiro, amoroso e justo numa situação particular ...
Não importa como escolhamos passar para o próximo momento de nossas vidas, o convite divino nunca deixa de estar presente com um chamado para o que melhor possamos ser. Isso é graça. Em termos mais tradicionais, Deus nunca desiste de nós ou deixa de desejar o melhor para nós "- p 241-242,
Como então damos sentido às coisas ruins que acontecem no mundo?
Como seres humanos, tentamos encontrar significado em todos os eventos - para os cristãos esse significado tem sido Deus, sejam os eventos, bons ou maus.
Por isso, é difícil deixar de lado esses clichês que nos confortam em tempos difíceis. É difícil aceitar que a vida é dura, cruel às vezes e que certos eventos podem ocorrer por acaso. Mas a vida também é linda, surpreendente e maravilhosa.
Harold Kushner (um proeminente rabino americano e autor popular) diz em seu livro Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas
Deixe-me sugerir que as coisas ruins que acontecem conosco em nossas vidas não têm um significado ao acontecerem. Eles não acontecem por nenhuma boa razão que nos leve a aceitá-los de bom grado. Mas podemos dar-lhes um significado. Podemos resgatar essas tragédias da falta de sentido e por sobre elas um significado...
A pergunta que devemos fazer não é: "Por que isso aconteceu comigo? O que eu fiz para merecer isso? ”Essa é realmente uma pergunta sem sentido e sem resposta. Uma pergunta melhor seria "Agora que isso aconteceu comigo, o que eu vou fazer com isso?"
Precisamos valorizar o que temos, porque amanhã isso pode desaparecer. Precisamos cuidar deste mundo, porque Deus não vai intervir e consertá-lo para nós.
E a Bíblia?
Lembre-se de que a Bíblia mostra Deus como poderoso: o criador do universo, o curador dos enfermos e moribundos, o campeão dos exércitos, o vencedor da morte.
Então, se você não acredita que Deus é todo-poderoso, então o que você acredita sobre essas histórias?
É mais fácil para os cristãos racionalizar as histórias do Antigo Testamento porque elas são tão gráficas e tão contraditórias ao Deus do Novo Testamento.
É fácil dizer que essas histórias eram interpretações de uma sociedade antiga que via todos os eventos como sendo a "vontade de Deus". Toda sobre a vida, sobre a morte, sobre sucesso e fracasso eram (com ou sem razão) atribuídos a Deus.
No entanto, é muito mais difícil para os cristãos aplicarem a mesma lógica ao Novo Testamento. O Deus do Novo Testamento é aquele que os cristãos querem: que perdoa, que ama, que é bom e é capaz de realizar milagres.
Então eu coloco o desafio para você: se você for um cristão, da próxima vez que você for solicitado a explicar algo sobre Deus que pareça ser contraditório ou tentar consolar alguém na hora da dor, dê um passo para trás em relação às suas respostas prontas e use as lentes da lógica.
Reconsidere o uso desses clichês e saiba que não há problema em reexaminar suas suposições.
Pergunte a si mesmo: No que você realmente acredita?
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